Cheira mal! Muito mal mesmo, um odor de refinaria, corrosivo, enjoativo... Estamos longe e chega até nós, intenso. Lá ao fundo, duas ou três dezenas de vultos brancos movimentam-se coordenadamente, como num formigueiro. Aproximando-nos até às barreiras, vemos melhor e, afinal, não são bem brancos. Os fatos integrais são alvos, sim, mas estão manchadas de … Continue reading NUNCA MAIS!
Categoria: Memórias do Mundo
AO DESCER O RIO LIMA
Não era uma azenha abandonada. Construção robusta, lages bem encaixadas umas nas outras, aparentava vários séculos de existência. De formato encurvado, interior vazio, atravessada por água entrando por abertura virada a montante e saindo por uma “porta” para jusante, a estrutura mostrava na face das pedras o desgaste e polimento de incontáveis cheias do rio. … Continue reading AO DESCER O RIO LIMA
PEDRA AMARELA
Um azul que nunca tinha visto. Um azul luminoso, à superfície, mas muito carregado, na zona profunda. Em redor, um manto claro, brilhante, quase branco, cobrindo tudo em forte contraste. Uma névoa muito ténue pairando, saindo devagar, como que avisando subtilmente do calor intenso contido no pequeno lago, enganadoramente da cor que é geralmente sinal … Continue reading PEDRA AMARELA
ERVAMOIRA
Era perfeita, nunca tinha visto igual. As almofadas oblongas bem marcadas e os traços deixados pelas longas unhas não deixavam lugar para dúvidas. Na margem do rio Côa, ainda o sol se levantava e uma neblina suave pairava sobre a água, dei com ela em cama de areia fina, ainda húmida da noite. No meio … Continue reading ERVAMOIRA
NO COMBOIO DE VIGO
Aos meus pés ia um grande saco com bananas verdes, mas não eram minhas. O guarda fiscal assumiu que o eram e nada perguntou. Eu nada disse. O mesmo sucedeu com mais três ou quatro ocupantes na carruagem. Estranho, mas foi mesmo assim. E, em muitas das viagens de regresso ao Porto, vindo de Vigo … Continue reading NO COMBOIO DE VIGO
REMA, REMA!
O bicharoco não estava assustado, podia desaparecer quando quisesse. Parecia, isso sim, que se divertia à nossa custa, afundando aqui e emergindo mais além. De máquina fotográfica na mão, eu olhava em volta e pedia ansioso: está ali, rema, rema, Zé! E o Zé, fazendo-me a vontade, remava. Acabei por fazer dois ou três “slides”(1) … Continue reading REMA, REMA!
ÓCULOS EMBACIADOS
A humidade satura o ar e, apesar da altitude e do vento fresco, sentia na cara o calor da caminhada. Tinha chuviscado, vegetação e solo completamente encharcados. De cada vez que olho para cima na tentativa de localizar as aves que ouço piar, ou que o guia vê e me indica, o vapor que se … Continue reading ÓCULOS EMBACIADOS