Era perfeita, nunca tinha visto igual. As almofadas oblongas bem marcadas e os traços deixados pelas longas unhas não deixavam lugar para dúvidas. Na margem do rio Côa, ainda o sol se levantava e uma neblina suave pairava sobre a água, dei com ela em cama de areia fina, ainda húmida da noite. No meio … Continue reading ERVAMOIRA
Categoria: Memórias Características
A FISGA
Poc! O passarinho caiu ao solo mesmo em frente aos meus pés. Imediatamente senti pena do bichinho frágil, muito mais intensa do que a satisfação infantil de ter pela primeira vez ter acertado num alvo. Naquele tempo quase todos os miúdos tinham fisga, feita de um pau bifurcado, duas tiras de borracha aproveitada de uma … Continue reading A FISGA
REMA, REMA!
O bicharoco não estava assustado, podia desaparecer quando quisesse. Parecia, isso sim, que se divertia à nossa custa, afundando aqui e emergindo mais além. De máquina fotográfica na mão, eu olhava em volta e pedia ansioso: está ali, rema, rema, Zé! E o Zé, fazendo-me a vontade, remava. Acabei por fazer dois ou três “slides”(1) … Continue reading REMA, REMA!
A CAIXA DE CARTÃO
O homem atrás do balcão pegou na caixa que o outro homem trazia, espreitou por uma frincha e acenou afirmativamente com a cabeça. Em seguida, pousou-a no chão e deu-lhe dois tiros. Assim mesmo. O à-vontade com que o fez, mesmo com pessoas na loja, a arma de pressão-de-ar pronta e o código de comunicação … Continue reading A CAIXA DE CARTÃO
A COMISSÃO E O RIO SABOR
Levantei-me e disse alto e bom som, irritado: “Nesta sala não há mais ninguém além de mim que saiba interpretar toda a informação do documento! Não sou um ecologista qualquer sempre do contra. Estou a debater o assunto baseado em conhecimento e com argumentos técnicos. Por isso, exijo respeito!” Assim mesmo, mais vírgula menos vírgula. … Continue reading A COMISSÃO E O RIO SABOR
EMBARAÇO INFORMÁTICO
A minha cara ferve, rubor intenso. Carrego repetidamente na tecla ESC, sem resultado, e o rato não dá para fechar as imagens que rápida e sucessivamente vão povoando o monitor, sempre mais, cobrindo as anteriores. As duas professoras sentadas a meu lado, já entradotas, incomodadas, desviam o olhar daquelas fotografias dignas das mais populares “revistas … Continue reading EMBARAÇO INFORMÁTICO
QUEREM UM LABORATÓRIO?
Não foi bem com as palavras que dão título a esta memória, foi mais ou menos dissimulado, qualquer coisa como: “Nós fazemos aqui um laboratório para estudar a dinâmica do rio e fica a funcionar durante alguns anos, pagamos as despesas e os senhores professores gerem à vossa maneira…” Foi assim que tentaram subornar-nos para … Continue reading QUEREM UM LABORATÓRIO?