Poc! O passarinho caiu ao solo mesmo em frente aos meus pés. Imediatamente senti pena do bichinho frágil, muito mais intensa do que a satisfação infantil de ter pela primeira vez ter acertado num alvo. Naquele tempo quase todos os miúdos tinham fisga, feita de um pau bifurcado, duas tiras de borracha aproveitada de uma … Continue reading A FISGA
Categoria: Memórias antigas de África
ESPADAS NA PRAIA
À medida que nos aproximamos, aumenta o reflexo do sol. Brilha em dezenas de espadas, perfeitamente alinhadas umas ao lado das outras. Não, não são espadas metálicas, embora o prateado intenso assim o sugira. Nem são armas, ainda não passaram muitas horas desde que ainda estavam vivos. Sábado ao início da manhã. Os abundantes peixes-espada, … Continue reading ESPADAS NA PRAIA
FATEIXA
No meio da ponte, o homem olha lá para o fundo resignado, indiferente a quem vai passando sem o ver. Tinha tentado de outras formas mas sem sucesso, e acabara por chegar à conclusão, tinha que ser mesmo ali. Lá em baixo, adivinha-se pelos movimentos frenéticos a futura refeição da sua família pobre. Então, deixa … Continue reading FATEIXA
MÚSICA
O japonês, todo molhado, abriga-nos com o seu guarda-chuva enquanto os Anjos me empurram na cadeira de rodas, ziguezagueando por entre milhares de pessoas em direcção à rua. Ainda nos indicou o melhor sítio para apanhar um táxi, mandou parar um e ajudou a dobrar a cadeira e arrumá-la na viatura. À saída do Budokan … Continue reading MÚSICA
CLIENTE ASSÍDUO
Um dia descobri a sua existência e não mais a larguei. Vinha ao bairro uma vez por semana, em dia certo, esperava os clientes assíduos, e apelava aos transeuntes tentando ampliar a clientela. Fazia-se transportar num enorme furgão branco de formato inconfundível e era conhecida por todos. Era a biblioteca Itinerante e fazia parte da … Continue reading CLIENTE ASSÍDUO
A BATALHA
Foi memorável a batalha! Tínhamos conseguido atingir-nos uns aos outros com projécteis vermelhos e peganhentos, tudo numa grande algazarra de adolescentes, corria o ano de 1972. O pouco simpático professor de matemática tinha faltado e a malta correu para o pomar que ficava nas traseiras da escola, a extensão de Camacupa do Liceu Silva Cunha, … Continue reading A BATALHA
SOPA COM CARNE E ARROZ DE PEIXE
Não era a pior comida do mundo, e nunca me incomodou muito tê-la frequentemente. Mas é melhor explicar. Nos primeiros anos da década de 70 do século passado, vivíamos nós no Lobito, em Angola, muitas refeições eram bastante desinteressantes, o mínimo que se poderia dizer. Na verdade, era frequente termos vários dias consecutivos em que, … Continue reading SOPA COM CARNE E ARROZ DE PEIXE