O QUE E.L.A. ME TROUXE

Desengane-se quem pense que este texto seja um desfile de lamúrias. Pelo contrário, é um relato feito em tom ligeiro, de situações curiosas, de alterações físicas e sensoriais, e ainda de outros aspectos que entraram na minha vida com a ELA (esclerose lateral amiotrófica), comemorando dez anos de estreita convivência. Assim, deixo de fora o … Continue reading O QUE E.L.A. ME TROUXE

A FACA DO BACALHAU

O homem pegou no queijinho, bateu com ele no balcão e fez um sorriso maroto, acentuando o som, parecia feito por uma pedra. Depois, dirigiu-se para a extremidade da bancada, levantou a faca do bacalhau, passou-lhe um pano e zás, guilhotinou repetidamente o pequeno queijo. Dispôs as resultantes tirinhas amareladas numa fatia de pão escuro, … Continue reading A FACA DO BACALHAU

AMÊIJOAS, FIGOS E GRADES

O que amêijoas gordas, figos maduros e grades de cerveja têm em comum? Aparentemente nada, mas, nas minhas memórias têm tudo. São protagonistas de uma semana de aventuras interligadas, para lá do limite razoável. No momento, não levantaram questões éticas mais fortes do que o sentido de pertença ao grupo de jovens, levemente irresponsáveis, e … Continue reading AMÊIJOAS, FIGOS E GRADES

PENSÃO COM VISTA PARA O MAR

Dormir no chão de pedra nua, com o vento a circular livremente no cubículo, janelas sem molduras, há muito carcomidas pelo mar, um bruaá continuado das ondas a espremer-se nas reentrâncias das rochas em volta, era a melhor definição de desconforto. No entanto, constituiu uma experiência única. Pior dormida só na noite passada debaixo da … Continue reading PENSÃO COM VISTA PARA O MAR

CARROÇA DESGOVERNADA

No caminho, envolvida por uma nuvem de poeira, uma carroça de madeira segue rapidamente aos solavancos, puxada por um par de cavalos desgovernados. Ou seriam mulas? A paisagem, uma planície dominada por ervas secas, remete para o Oeste americano. Pergunto-me se já estarão a pensar que isto parece mesmo uma cena de filme. Subitamente, um … Continue reading CARROÇA DESGOVERNADA

PEDRADAS NA ÁGUA

Os peixes eram tanto deles como eram meus. Eu só queria vê-los, eles queriam pescá-los. De cada vez que vinha à superfície para respirar, os pescadores empoleirados na falésia deixavam cair um conjunto de impropérios. Depois, começaram a atirar-me argumentos mais pesados: pedras de vários tamanhos. Afinal, eu “estava a assustar” os peixes que eles … Continue reading PEDRADAS NA ÁGUA

AGONIA AO PORTÃO

O que há de comum entre dois recintos abandonados, um em Cabo Verde e outro nos arredores de Berlim? São os dois locais do planeta onde me senti verdadeiramente agoniado. Uma sensação de enjoo, instalando-se lentamente, foi crescendo dentro de mim até se tornar insuportável. Disse que já bastava. Não queria ver mais nada, só … Continue reading AGONIA AO PORTÃO

A CAIXA AZUL

Por paradoxal que possa parecer, a observação do muito pequeno alargou-me os horizontes. A caixa de cartão azul, com imagens sugestivas e tampa de plástico transparente, revelava o conteúdo arrumado em entalhes num bloco de poliestireno expandido, a vulgar esferovite. Caixinhas de diferentes tamanhos, tubinhos com tampa, uma pinça e uma agulha metálicas,  e ainda … Continue reading A CAIXA AZUL

TUTTI ITALIANI MAFIOSI…

Com um sorriso trocista, manhoso até, o empregado de mesa encolheu os ombros enquanto saboreava o espanto nas nossas caras. Tinha acabado de dizer, dentes arreganhados: “Tutti italiani mafiosi…” Isto, depois de apontar com o indicador umas letrinhas impressas nas toalhas de papel onde pousavam os pratos vazios da refeição terminada. Mais coisa menos coisa, … Continue reading TUTTI ITALIANI MAFIOSI…

QUAIS SÃO AS REGRAS DO JOGO?

Ali estava eu, no meio de tantos outros, todos sentados a assistir pacificamente à movimentação dos jogadores, numa coreografia que não compreendia. Os vizinhos meteram conversa, queriam saber se eu estava a gostar. Tinham-me topado. Obviamente, pelo menos para eles, eu não fazia parte do estereótipo que abundava em redor. Não me contive, confessei a … Continue reading QUAIS SÃO AS REGRAS DO JOGO?

QUATRO CÃES, O MOLIÈRE E OS OUTROS

Na Serra da Leba, na Serra de Valongo, na Serra Amarela e no meio da cidade, quatro Amigos do Homem pregaram-se-me na memória. Tiveram sortes distintas. Melhor dizendo, tiveram sortes de cão, que é uma expressão com sentidos opostos em função do contexto. E aqui também. O primeiro morreu instantaneamente. Nem sei que cor tinha, … Continue reading QUATRO CÃES, O MOLIÈRE E OS OUTROS

O PRÉMIO QUE NÃO QUERIA

No final da quarta classe a Escola Primária ofereceu um livro ao melhor aluno. O rapaz já o tinha na mão e todos batiam palmas quando uma das professoras disse bem alto que não podia ser. E porquê? Porque ele era repetente. Mandaram-no embora sem o livro. Uma total falta de sensibilidade, uma grosseria para … Continue reading O PRÉMIO QUE NÃO QUERIA

O HOMEM BARRIGUDO E OS “ÃES”

No breu da noite africana, ela está iluminada pela luz crua do Petromax(1) e milhentos insectos esvoaçam em seu redor formando um véu brilhante. Cabelos longos cobrindo metade do rosto, a jovem mulher dedilha ritmadamente as cordas. E canta, sentada na beira do alpendre de madeira tosca. Canta com um sorriso malandro, a condizer com … Continue reading O HOMEM BARRIGUDO E OS “ÃES”

DUNA 45

Silêncio. Sol. Sombras ramificadas projectadas no solo, ramos negros recortando o céu muito azul, quase cobalto, em contraste com a imensidão avermelhada que ocupa o horizonte em frente. Dunas. Uma delas, enorme, de curvas suaves, parece mover-se muito lentamente. Pura ilusão. Move-se, sim, mas tão devagar ao longo dos anos que o olhar não conseguiria … Continue reading DUNA 45

TROAR, RIBOMBAR, RETUMBAR?

Troar, ribombar, retumbar? Não sei que palavra usar para descrever o som poderoso que nos faz vibrar o peito, qual caixa de ressonância de um instrumento emudecido, sem palavras. Sem falar, pelas emoções no máximo. Perfeitamente compreensível, já que estava na beira de um fenómeno da natureza impressionante. Pelo som, sim, mas também pelas dimensões, … Continue reading TROAR, RIBOMBAR, RETUMBAR?

49 METROS ABAIXO DO NÍVEL DO MAR

Libertando-se repetidamente do solo, estalidos metálicos, suaves, quase imperceptíveis. O som vinha de todas as direcções e acentuava-se quando as nuvens se afastavam e deixavam o sol aquecer aquela extensa planície. O piso muito irregular impedia caminhar, era com altos e baixos de lama seca, endurecida por grande quantidade de brilhantes e minúsculos cristais de … Continue reading 49 METROS ABAIXO DO NÍVEL DO MAR

MUNIÇÕES FORA DO PRAZO

No lixo do quartel abandonado pelas tropas portuguesas havia muito material queimado, sem utilidade. O que nos atraiu a atenção foi um amontoado de balas de aspecto antigo, cápsulas oxidadas, muitas  já com verdete. Levámos uma mão cheia delas. Não imaginávamos o perigo que viria de tal infantilidade em período de escaramuças entre os guerrilheiros … Continue reading MUNIÇÕES FORA DO PRAZO

GIRINOS EM CASA

Quantos cordões de ovos levei do ribeiro para casa? Quantos sapinhos vi desaparecer no quintal? Observar a maravilha das metamorfoses, repetidamente, não cansava os nossos olhos de crianças.  Ao regressar da escola primária, parava muitas vezes no fim da mata que rodeava o bairro onde morávamos. Junto ao pequeno ribeiro que aí corria lentamente, eu … Continue reading GIRINOS EM CASA

CAVEIRA DE CRISTAL

Uma caveira esculpida em tamanho real num grande cristal de quartzo, atribuída aos astecas ou aos maias (1), cabeças encolhidas de vítimas de tribos amazónicas, múmias Incas, clépsidras e tantos outros mecanismos para medição do tempo, armas e armaduras, instrumentos musicais e de navegação, autómatos pioneiros, ferramentas, maquinaria diversa e ainda estranhos aparelhos antigos, um … Continue reading CAVEIRA DE CRISTAL

STÊNCIL QUEIMADO

As palavras estavam do avesso e como que arrepiadas. Decifrar o texto na superfície ondulada do novelo de cinzas foi um desafio. Feitos detectives, entusiasmados na ânsia da descoberta, a rapaziada dissecou lentamente o stêncil queimado que se desfazia a cada toque. As frases ainda legíveis foram verbalizadas lentamente, palavra a palavra, para que todos … Continue reading STÊNCIL QUEIMADO

HOTEL AEROPORTO

No primeiro dia não vi o sol. Nos seguintes mal apareceu, encoberto pelas nuvens escuras, carregadas, trazidas por um vento frio. Chovia. Daquela chuva miudinha, chata, persistente. As árvores já tinham perdido quase toda a folhagem. Os ramos nus, erguidos ao céu, pareciam mãos com dedos nodosos e alongados. Folhas mortas, castanhas, amarelas, amontoavam-se no … Continue reading HOTEL AEROPORTO

SUBITAMENTE FALTOU-NOS O CHÃO!

Vemos as copas das árvores passando rapidamente a poucos metros de nós. Ao longe, em frente, a neve cobre o topo dos montes. Subitamente, um som abafado de surpresa escapa-se das bocas, mãos agarram-se instintivamente. Falta-nos o solo! Estava ali mesmo e num segundo fugiu. Está agora mil metros lá para baixo. Estreita fita prateada, … Continue reading SUBITAMENTE FALTOU-NOS O CHÃO!

O LEITEIRO E A INÉRCIA TRAMARAM-ME

Não tinha ainda percorrido duzentos metros e já eu caía do carro. Pulso e joelhos esfolados, e também uma grande amassadela na autoestima. Era o preço de uma decisão menos ponderada, de uma má avaliação e, convenhamos, algum azar.  De visita a familiares, calhou passar o leiteiro no seu veículo adaptado com uma plataforma na … Continue reading O LEITEIRO E A INÉRCIA TRAMARAM-ME

OS LOBINHOS 

Os dois adultos afastaram-se receosos e pudémos aproximar-nos do seu covil, devo confessar que não de modo totalmente confiante. Era um abrigo tosco com 2 lobinhos, bolinhas de pêlo fofo, olhos cinzentos e patas robustas. “Podem pegar neles, se quiserem.“ Quisémos. Ganiam levemente e cheiravam mal, mas mesmo muito mal, a carne em decomposição. Nunca … Continue reading OS LOBINHOS 

NA TENDA

A árvore morta, de tronco negro, revelava-se em forte contraste com a neblina brilhante do sol ainda baixo. Encaixado nos ramos, um ninho muito grande, cegonha ainda deitada. Mas este ninho não era como os outros, destacava-se por estar pouco acima da água, bem afastado da margem. Não conhecia outro igual. A ave levantou-se e … Continue reading NA TENDA

AO DESCER O RIO LIMA

Não era uma azenha abandonada. Construção robusta, lages bem encaixadas umas nas outras, aparentava vários séculos de existência. De formato encurvado, interior vazio, atravessada por água entrando por abertura virada a montante e saindo por uma “porta” para jusante, a estrutura mostrava na face das pedras o desgaste e polimento de incontáveis cheias do rio. … Continue reading AO DESCER O RIO LIMA

REMA, REMA!

O bicharoco não estava assustado, podia desaparecer quando quisesse. Parecia, isso sim, que se divertia à nossa custa, afundando aqui e emergindo mais além. De máquina fotográfica na mão, eu olhava em volta e pedia ansioso: está ali, rema, rema, Zé! E o Zé, fazendo-me a vontade, remava. Acabei por fazer dois ou três “slides”(1) … Continue reading REMA, REMA!

ESPADAS NA PRAIA

À medida que nos aproximamos, aumenta o reflexo do sol. Brilha em dezenas de espadas, perfeitamente alinhadas umas ao lado das  outras. Não, não são espadas metálicas, embora o prateado intenso assim o sugira. Nem são armas, ainda não passaram muitas horas desde que ainda estavam vivos.  Sábado ao início da manhã. Os abundantes peixes-espada, … Continue reading ESPADAS NA PRAIA

A COMISSÃO E O RIO SABOR

Levantei-me e disse alto e bom som, irritado: “Nesta sala não há mais ninguém além de mim que saiba interpretar toda a informação do documento! Não sou um ecologista qualquer sempre do contra. Estou a debater o assunto baseado em conhecimento e com argumentos técnicos. Por isso, exijo respeito!” Assim mesmo, mais vírgula menos vírgula. … Continue reading A COMISSÃO E O RIO SABOR

EMBARAÇO INFORMÁTICO

A minha cara ferve, rubor intenso. Carrego repetidamente na tecla ESC, sem resultado, e o rato não dá para fechar as imagens que rápida e sucessivamente vão povoando o monitor, sempre mais, cobrindo as anteriores. As duas professoras sentadas a meu lado, já entradotas, incomodadas, desviam o olhar daquelas fotografias dignas das mais populares “revistas … Continue reading EMBARAÇO INFORMÁTICO

PULMÃO VERDE

Sentia-me completamente isolado no meio da floresta. Caminhava na sombra das grandes árvores, pouca luz atravessava a espessa camada de folhas. Estava quente, daquele calor húmido típico da região, e a passarada cantava um repertório desconhecido para mim enquanto saltava de ramo em ramo. Solo enlameado, cheiro ácido a matéria orgânica, a marca bem visível … Continue reading PULMÃO VERDE

CORISTAS VELHAS E MONGES CALADOS

No palco, duas bailarinas sexagenárias balançam-se malandramente, tentando acompanhar a música de jazz que a orquestra de quatro séniores ainda mais serôdios tocam nos seus instrumentos, também estes já muito gastos. A sala envelhecida, com veludos vermelhos, colunas forradas a espelhos e painéis pintados a fingir de mármore, mantém-se inalterada desde a primeira metade do … Continue reading CORISTAS VELHAS E MONGES CALADOS

MÚSICA

O japonês, todo molhado, abriga-nos com o seu guarda-chuva enquanto os Anjos me empurram na cadeira de rodas, ziguezagueando por entre milhares de pessoas em direcção à rua. Ainda nos indicou o melhor sítio para apanhar um táxi, mandou parar um e ajudou a dobrar a cadeira e arrumá-la na viatura. À saída do  Budokan … Continue reading MÚSICA

CLIENTE ASSÍDUO

Um dia descobri a sua existência e não mais a larguei. Vinha ao bairro uma vez por semana, em dia certo, esperava os clientes assíduos, e apelava aos transeuntes tentando ampliar a clientela. Fazia-se transportar num enorme furgão branco de formato inconfundível e era conhecida por todos. Era a biblioteca Itinerante e fazia parte da … Continue reading CLIENTE ASSÍDUO

GOLFINHOS DE POTÊNCIA

O ambiente é abafado, muito barulhento e mal-cheiroso, quase insuportável. O espaço é apertado e tem entranhado o rasto de mil peúgas e dos respectivos donos, transpirados do trabalho duro. Difícil de imaginar como é possível descansar nestas condições, mas este é um pensamento de quem não está habituado a estas lides. Estou a ver-me … Continue reading GOLFINHOS DE POTÊNCIA

FOTOGRAFIA COM PELOS

Olhava  para nós sem  medo, talvez por se encontrar em posição mais elevada, protegida. Parecia estar isolado, não se via a família. Lentamente encurtámos a distância e, muito próximos, fizemos algumas fotografias, mesmo a tempo, antes dos três saltos rápidos por entre as pedras com que desapareceu silenciosamente. Foi já a meio do regresso ao … Continue reading FOTOGRAFIA COM PELOS

SOPA COM CARNE E ARROZ DE PEIXE

Não era a pior comida do mundo, e nunca me incomodou muito tê-la frequentemente. Mas é melhor explicar. Nos primeiros anos da década de 70 do século passado, vivíamos nós no Lobito, em Angola, muitas refeições eram bastante desinteressantes, o mínimo que se poderia dizer. Na verdade, era frequente termos vários dias consecutivos em que, … Continue reading SOPA COM CARNE E ARROZ DE PEIXE

AVES

Esperar, avistar, apontar, enquadrar, focar, disparar e já está. Estes são os passos necessários para fazer uma fotografia de uma ave. E ficar calado! Mesmo assim, muitas vezes não resulta. Desde miúdo que gostava bastante de ver e ouvir estes animais alados, fofos e coloridos. Nos jardins, em passeio, a pé ou de bicicleta, nos … Continue reading AVES

NEANDERTAIS

Desde que ouvi falar deles eu dizia muitas vezes: eles andam aí no meio de nós. À medida que fui lendo as descobertas da genética moderna, que revelam a presença de genes dos Neandertais nas populações humanas actuais, fui confirmando o que sentia e afirmava por brincadeira. O dicionário diz: ne·an·der·tal |niãdèrtál| (Neandertal, topónimo [região … Continue reading NEANDERTAIS

DON’T DO IT AGAIN, PLEASE!

“Professor! Don't do it again, please!” Esta foi a frase que quebrou a tensão e originou uma gargalhada geral. Quem a proferiu foi o professor Andrzej Łysak, na altura no Porto a convite do professor João Machado Cruz. Durante alguns meses, em 1982-3, contribuíu para a formação dos doze finalistas da licenciatura em Biologia, ramo … Continue reading DON’T DO IT AGAIN, PLEASE!

VER A ENCICLOPÉDIA

Passava horas a ler, e apreciava muito um ou outro dos volumes profusamente ilustrados que os meus pais tinham comprado para nós. Chamava-se ”A minha primeira Enciclopédia” e mostrou-me o mundo, a par de outra colecção  chamada “Como funciona?”, e ainda outra, o “Atlas do universo”. Não me lembro bem mas terá sido por volta … Continue reading VER A ENCICLOPÉDIA

COSTELETAS DE PORCO COM VINHO DO PORTO

Pouco depois de entrar no país pela fronteira de Vilar Formoso, era hora de almoço. Restaurante de beira de estrada,  escolher mesa, mandar vir prato do dia, costeletas de porco. E para beber? Venha uma garrafa de Porto! Vinha de França à boleia num camião TIR. Terminadas as vindimas de 1981 na zona de Bordéus, … Continue reading COSTELETAS DE PORCO COM VINHO DO PORTO