DOIS CRIMES NA NOITE

O que sucedeu naquela madrugada foi estranho, no momento em que ocorreu. E foi quase incompreensível para mim, que teria dez ou onze anos, quando soube a razão dos gritos. A explicação só surgiu na manhã seguinte, ao escutar as conversas em tom grave dos adultos.  Nessa noite, ficámos a dormir em casa da família … Continue reading DOIS CRIMES NA NOITE

A TIFA

No meio da nuvem branca e malcheirosa, os vultos de farda parda faziam uma estranha coreografia. Uns, desenrolando da traseira do veículo um tubo flexível com um longo espalhador metálico, introduziam fumo nos bueiros e demais orifícios das ruas e passeios. Outros, com uma barulhenta máquina portátil, lançavam fumo nas habitações e casas comerciais. Apareciam … Continue reading A TIFA

NO LOBITO

No início dos anos setenta fomos viver junto ao mar, no Lobito, por transferência do pai, que era funcionário da Companhia do Caminho de Ferro de Benguela. Anos felizes para um rapazinho de onze, doze anos. A mudança trouxe novos hábitos, novas caras e excelente peixe fresco, por comparação ao que se comia no interior, … Continue reading NO LOBITO

ATIREI O PAU AO…

Encontrámo-nos a meio do caminho enlameado, como se fosse um duelo. Para me amedrontar, ergueu-se ao máximo, tentando parecer maior do que era na realidade. Dei-lhe com um pau e acabou o combate, tão rapidamente como tinha iniciado.  Contada deste modo a memória vale pouco, pelo que, agora, vou repeti-la em câmara lenta como no … Continue reading ATIREI O PAU AO…

FILA PARA A PISTOLA

A longa fila conduzia o pessoal, rapidamente e sem conversas, a um furgão estacionado na sombra, à frente do qual um homem usava repetidamente uma grande pistola. A situação era assustadora, pelas dimensões e pelo formato estranho da “arma”, que era mesmo especial. Apesar do susto, todos passavam pelo homem e, após breve paragem, continuavam … Continue reading FILA PARA A PISTOLA