As três laranjas, lançadas em trajetórias parabólicas, passavam sucessivamente de um lado para o outro. O meu olhar não descortinava como tudo acontecia sem falhas. De forma elegante e que aparentava ser fácil, as laranjas atiradas por uma mão passavam para a outra descrevendo uma curva e dando a ilusão de estarem todas a voar. Bem, por vezes o passe falhava e as laranjas caíam ao chão.
A memória da mãe malabarista, fosse com 3 laranjas ou com outros objetos adequados às suas mãos, vem da infância mais recuada. Era mais uma das suas qualidades, das muitas que lhe eram naturais e que transformaram para melhor uma vida que não foi fácil. A habilidade ficou também registada em algumas centenas de fotogramas de um velho filme super 8 mm, comprovando a memória.
Por mais que tentasse, nunca encontrei o modo de a imitar com as laranjas. Ou não tenho jeito para tal, ou não terei insistido o suficiente para o conseguir, nunca saberei. O máximo que eu consegui foi equilibrar uma vassoura invertida na palma da mão, ou no queixo, ou ainda no pé, a posição mais difícil das três.