Perguntando hoje aos filhos se recordam a visita a um museu cheio de esculturas em Paris, a resposta é vaga. A verdade é que estivemos num monumental salão povoado por esculturas de vários estilos, tamanhos, materiais, proveniências e impactos. E também para todos os gostos.
Aproveitando a semana de férias da Páscoa, entre março e abril de 1997, fizemos uma viagem familiar a Paris1. A cidade estava com pouco trânsito, deserta de nativos e, estranhamente, os turistas não enxameavam. Além de visitarmos alguns dos pontos turísticos mais importantes, não deixámos de comprar as típicas baguetes acabadas de fazer e acompanhar as ditas com queijos deliciosos. Fomos ao superlativo Louvre, ao monumental Arco de Triunfo e à rendilhada Notre Dame, subimos à torre mais famosa, passeámos no Bois de Boulogne, todo florido, levámos os miúdos à feérica Euro Disney,.. Nessa semana, para além de nós os quatro, alinharam e fizeram-nos companhia os meus sogros, que apreciaram a experiência da grande capital e ajudaram a cobrir as despesas.
Um dos dias, após um passeio pelos Campos Elíseos e pelos Jardins das Tulherias, aproveitei uma pausa no programa que tínhamos planeado e atravessei uma das pontes do Sena com as crianças pela mão. O museu de Orsay estava mesmo ali em frente e não podia perder a oportunidade para uma visita, ainda que fosse breve. E foi, porque não gostaram muito, ou então estariam cansados daquele dia que tinha começado bem cedo. O conteúdo do museu ainda não fazia parte do imaginário deles, ao contrário do que se tinha passado no Louvre onde tinham visto obras de civilizações que já conheciam. Mesmo assim, falei-lhes do que íamos vendo ao longo do salão, dando a minha opinião, e manifestando a mesma admiração ou estranheza que eles perante algumas peças. Gostaram de algumas, é certo, e a visita foi útil, mesmo que dela não se lembrem. Pensar, interpretar e ser desafiado é importante para o crescimento.
NOTA
1- Ler também O COMETA DE PARIS