Apetece-me escrever como quem lança foguetes. Passou mais uma translação planetária completa e ainda aqui venho contar histórias. Há doze meses, mais dia menos dia, comemorei três anos de publicações. Agora, é a vez de assinalar o quarto ano de divulgação das memórias que restam no meu arquivo imaterial.
Confesso que não sabia que teria tanto tempo para esta empreitada. Quando comecei, era ainda possível passar para esta páginas, um acto de semi-materialização do pensamento, três ou quatro memórias a cada mês. Hoje, é com enorme dificuldade física que destilo uma memória mensal, das muitas que fermentam há muito nas minhas insónias.
A grande relatividade que caracteriza os meus dias, ou, melhor dizendo, o contraste entre a vertiginosa velocidade com que acompanho a Terra pelo espaço, e a extrema lentidão da minha escrita, esta diferença não cessa de me motivar. Se a grande cavalgada sideral está isenta de qualquer mérito meu, já esta caracolada terrena que é a objectivação da memória é resultado da minha teimosia. Sim, insisto em escrever, apesar da pouca relevância do acto, talvez para afirmar a mim mesmo que, em conjunto com outras razões familiares, ainda faz sentido viver.
Pronto, já lancei os foguetes.