O COMETA DE PARIS

Horas mortas, o céu escuro, todos os passageiros com Morfeu, e, lá fora, a luz brilhante a acompanhar-nos. Ao longo de tantos quilómetros de estrada, virada a oeste, parecia mover-se à mesma velocidade que nós, uma curiosa ilusão comum a todos os objectos distantes. A certa altura, encostei a viatura e fiz uma fotografia ao astro, mesmo sabendo que não ficaria boa, apenas para registar o fenómeno. As duas caudas, perfeitamente distintas, eram um brinde fantástico, pois nunca as tinha observado num cometa.

O Hale-Bopp, pois é ele a “estrela” desta memória, estava  tão brilhante que, naqueles meses, podia ser facilmente observado a olho nu. Dizem os astrónomos que aquele grande calhau de rocha, de pó de estrelas e de gelo, com 40 a 80 quilómetros de diâmetro, atingiu o seu periélio no dia 1 de Abril, precisamente durante a nossa viagem, momento em que iniciou o retorno aos confins do universo, de onde regressará dentro de 2380 anos. Assombroso!

Contrariamente à crença popular, o astro foi prenúncio de uma  excelente viagem. Nos últimos dias do mês de março e início de abril de 1997, fizemos uma deslocação familiar a Paris, aproveitando as férias da Páscoa. A primeira etapa foi do Porto a Bragança, e demorou um dia de juízo, pois a estrada era má. Depois de uma noite curta, não foi fácil retomar a viagem, bem cedo, antes do sol nascer. Fizemos o nosso caminho com curtas paragens para alternar a condução, para abastecer os depósitos de combustível, os nossos e o da viatura, e ainda  para as actividades sanitárias.

Chegámos ao destino já bem tarde, noite adentro. Na manhã seguinte, começou a segunda parte da aventura: levámos as crianças a ver Paris. Monumentos, museus, jardins, a Cidade da Ciência da Indústria, no Parc de la Villette, e, mais importante que o resto, fomos pagar-lhes uma promessa feita alguns tempo antes, com uma demorada visita à Eurodisney. Adoraram tudo.

Apesar de não acreditar nisso, há uma inegável poesia quando digo que o cometa foi também prenúncio de outra mudança importante na nossa vida. No final desse ano, mudámos para uma nova casa, melhor, maior, e com quintal. 

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