TRÊS ANOS A ESCREVER MEMÓRIAS 

Ao iniciar 2022, completam-se três anos de revelação de algumas das minhas memórias. A abertura de um arquivo na “nuvem”, o Armazéns de Baús, em janeiro de 2019, alargou ao mundo da lusofonia o universo de potenciais leitores dos textos que comecei a escrever a meio de 2018. Inicialmente destinados apenas à família, e depois aos amigos mais próximos, os textos e reflexões são didáticos, e são chaves para compreender o passado, viver o presente e antecipar o futuro, como escrevi na abertura do Baú. Ou então, quanto mais não seja, podem servir para conhecer melhor o meu passado, e compreender o presente. 

Hoje, mais de centena e meia de memórias reveladas, disse tanto de mim e da vida familiar como nunca pensei vir a fazer. No entanto, a própria vida muda a nossa maneira de pensar, e perdi as reservas em publicar histórias do passado, das coisas simples às grandes provações. Momentos antes não contados aos filhos, por falta de oportunidade, por não vir a propósito, ou então resumidos em poucas palavras, sem adequado contexto, ficaram agora explicados.

Mais fácil no início, recorrendo a um rápido conversor fonético para o grosso do trabalho, a escrita era mais produtiva, sobretudo em longas noites de insónia. Agora que já não é possível fazer-me entender pela máquina, nem usar o computador mais do que um par de horas de cada vez, tudo acontece mais lentamente, com a ajuda do teclado virtual e do rato, igualmente virtual. Cada memória tem uma gestação morosa,  e o parto mais difícil.

Gosto de imaginar que estas memórias terão alguma utilidade. Quanto mais não seja, espero que as leiam para fins lúdicos. Consiga eu escrevê-las, de onde vieram há muitas ainda por trazer à luz.

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