BOLACHAS COM FIAMBRE

Uma das memórias muito difusas que guardo, talvez a mais antiga de que me lembro, é uma cena muito curta com o meu avô António. Terá sido em 1964, data em que o meu pai teve direito a umas férias no que então era conhecido pela metrópole, ou seja, Portugal continental. Penso que ainda não tinha chegado ao quinto aniversário, o que me coloca no que se chama a tenra idade.  Muito tenra mesmo.  O facto é que me lembro vagamente de algumas cenas ocorridas nessa viagem e uma delas é a que dá título ao texto. Tinha ido passear com o meu avô, sei agora que foi algures em Lisboa, e ele deu-me algumas bolachas “maria” com fiambre, uma iguaria até então desconhecida.  A cena foi tão marcante que a memória durou até hoje. Também na mesma altura fomos ao jardim zoológico de Lisboa, mas a única coisa de que me lembro foi de tentarem pôr-me em cima de um cavalo. Mas eu não quis porque tive medo. Na mesma altura fomos visitar a casa do tio Américo, sei hoje que era na zona de Estarreja. A única cena de que me lembro foi a tia Maria a amanhar enguias vivas na cozinha, e a nossa mãe arrepiada com a massa que se contorcia.

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