Quando somos miúdos fazemos coisas muito estúpidas e sem pensar nas consequências. Sei hoje que a escola primária distava de casa cerca de 800 metros e eu fazia diariamente o caminho, que na altura parecia muito maior, pasta na mão e bata vestida. Primeiro tinha que chegar ao fim do bairro. Depois, atravessava um eucaliptal que, nessa altura, me parecia muito extenso. A meio do trajecto, eu atravessava igualmente a linha onde passavam frequentemente os comboios do Caminho de Ferro de Benguela. E agora é que se explica a estupidez. Não sei onde terei ouvido a idiotice, mas tentei averiguar se seria verdade. Várias vezes levei de casa alfinetes, agulhas e pilhas velhas para pôr em cima do carril, e ficava à espera de ver a máquina descarrilar! Sem pensar nas consequências. Obviamente, nunca descarrilou, mas não foi por falta de tentativas. Quanto às agulhas ou alfinetes, desapareciam, e as pilhas desfaziam-se. De outras vezes usei pedras, e também tampas de garrafa de cerveja ou de refrigerante, na altura chamadas de cisnas. Claro que estas ficavam bem achatadas e eu trocava-as por cromos na escola. Depois de efectuadas algumas experiências de interacção física entre comboios e pequenos objectos, acabei por desistir. Sempre tive queda para a experimentação.
AFINAL NÃO DESCARRILA
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