No Lobito, por volta de 1970, passou um filme proibido a menores de 21 anos. A notícia correu depressa e alguns miúdos do bairro, catraios de 11 ou 12 anos, combinaram a grande aventura. No dia marcado, quando o filme começou, era já de noite. Como o Cinema Baía era ao ar livre, trepámos ao prédio que ficava de frente para a tela. O objectivo: espreitar aquilo que nunca tínhamos visto, o corpo feminino. E vimos, pois claro! Este filme aborda a sexualidade e a reprodução humana, na época assuntos tabu em Portugal, e contém cenas da vida íntima de uma jovem, desde o momento da concepção até o nascimento do seu bebé. Só me lembrava do primeiro nome mas, recentemente, após relembrar a cena, pesquisei e verifiquei que este filme se chamava “Helga – O segredo da Maternidade” (1967). De origem alemã, o filme tinha objectivos didáticos e inseria-se numa corrente de progresso social, então a despontar na Europa mais avançada. Devo confessar que não vi muita coisa, só alguma, mas foi compensador, pelo menos é essa a memória que guardo. O facto é que as varandas do prédio estavam cheias dos seus moradores e convidados, também com o objectivo de espreitar o que fosse projectado, se bem que tivessem já conhecimento de causa. Quando deram por nós, acabaram com a nossa aventura.
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