Depois da minha intervenção, durante muitos anos, não mais me convidaram para lá ir. Era um debate na televisão com o então Secretário de Estado do Ambiente, Ricardo Magalhães, sobre a utilização de verbas do ministério do ambiente no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Discordei da gestão e afirmei que se pagava tudo (incluindo construção de acessos e obras portuárias) menos a conservação da natureza. A certa altura eu disse-lhe que ele não era Secretário de Estado do Ambiente mas sim das Obras Públicas. Uma acusação de submissão aos interesses económicos e favorecimento aos autarcas. Ficou ofendido, terá mexido os cordelinhos na RTP.
Durante algum tempo, nos anos 90 do século passado, tive uma presença continuada na rádio e na televisão. Tinha uma crónica mais ou menos quinzenal na Rádio Renascença sobre temas de ambiente a minha escolha, mas não durou muitos meses, eu tinha tantas coisas para fazer ao mesmo tempo… Fui várias vezes chamado para comentar assuntos de conservação da natureza no telejornal da RTP2, e até me pagavam para lá ir. Também tive prestações avulsas em vários programas generalistas nos vários canais, como por exemplo o das manhãs do Goucha. Arrependi-me de lá ir pois, para ele, o
ambiente eram cocós de cão no passeio e não queria saber de mais nada. Não consegui passar a mensagem.
Já neste século, voltei a ser convidado várias vezes para intervenções nos vários programas da RTP (já ninguém se lembraria do episódio com que comecei esta memória) bem como da SIC e TVI.
Entre outros mais antigos, lembro-me de ter participado no programa da RTP2 “Sociedade Civil” de 11 de Setembro de 2013, no qual foi abordado o tema “Pesca Sustentável”.
Merece aqui uma referência especial o programa Biosfera, da RTP2, onde tive uma presença reiterada abordando temas diversos de ambiente, desde alterações climáticas, poluição, áreas protegidas, o Rio Sabor, oceanos, até à exploração sustentável dos recursos. Enviei-lhes também informações escritas sempre que me solicitaram, bem como lhes proporcionei oradores para temas que não eram da minha especialidade. Participei desde o primeiro programa, em 2007, até 2014, ano em que a minha voz começou a falhar e o meu corpo deformado deixou de ser adequado, em meu entender, para passar a mensagem.
Por esta razão, as últimas vezes que aceitei falar foram em 2016 e 2017, na rádio Antena 1. Respectivamente, uma foi sobre as ameaças à biodiversidade no estuário do Douro, que passou em 22 de fevereiro às 8h15m, numa reportagem do jornalista Pedro Sá Guerra, e outra no programa “Ponto de Partida” nº 38, sobre Energia Inteligente, emitido a 17 de janeiro.
Na maioria das vezes foram intervenções contra os governos, órgãos da administração pública e privada, autarquias, lobbies da caça, da agricultura e das plantações florestais, denunciando as falhas, a ganância ou o desleixo, tudo tendo como resultado a subalternização da natureza e da qualidade de vida aos interesses económicos e jogos de poder. Outras vezes foram opiniões técnicas ou ainda divulgação do nosso património natural. Umas foram feitas como biólogo universitário, outras foram feitas com a camisola de dirigente associativo do Fapas, Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens.
No BAÚ MULTIMÉDIA disponibilizo alguns sons aqui mencionados