NOTA INTRODUTÓRIA
As memórias são sempre falsas. Dependem da percepção, sempre incompleta, ou sofrem de viés cognitivo, e vão-se alterando ao longo do tempo em função dos contactos entre os neurónios, que se ligam a outros vizinhos e se desconectam de antigos ou desaparecidos, conduzindo a uma contínua reinterpretação da informação armazenada. Por isso, estas memórias relatadas em poucas palavras correspondem ao que sinto ser o mais próximo do que se passou ao longo dos anos, algumas delas há mais de meio século. Certamente que me perdoarão as imprecisões que possam conter, bem como a contaminação com conhecimentos e juízos actuais, mas o mais importante fica escrito. Algumas delas são tão vivas que as escrevo como se estivessem a decorrer agora. Finalmente, é necessário esclarecer que estas não são nem as melhores nem as piores memórias da minha vida. Muitas destas não podem ser contadas pois envolvem directamente pessoas a quem tenho de respeitar o direito de não exposição. Pela mesma razão quase não há nomes, excepto quando são figuras públicas.
Paulo
A introducao esta com a funcao perfeita.
Deixa-me curioso e com vontade de prosseguir. E’ provocadora (“as memorias sao falsas”) e apresenta os argumentos com espirito cientifico.
Abel
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