Esta memória podia ser sobre a de Camões, Pessoa, Aquilino ou Mia Couto, mas não, é mesmo acerca da minha: a língua. Durante a juventude, a minha língua permaneceu muito calada, algo introvertida. Mais tarde, começou a soltar-se em consequência de um crescendo de autoconfiança. Esta foi chegando pouco a pouco, sustentada nos resultados escolares. … Continue reading MORDAÇA
Mês: Setembro 2021
FECHA A PORTA
Abriu a porta e entrou como se fosse dona daquilo tudo, escancarando-a e deixando o vento frio irromper na nossa cozinha regional. “Fecha a portinha!” disse eu com voz de comando. E ela, virando-se lentamente, como que indicando obedecer contrariada, fechou mesmo a porta. A cena não teria lugar nestas memórias, não fosse ter-se repetido … Continue reading FECHA A PORTA
EXAMES COMPLICADOS
Dos tempos de estudante na universidade tenho muitas memórias, umas boas e outras não tão boas, como seria de esperar. As que mais custaram a engolir estão relacionadas com maus professores, ou com maus modelos de avaliação, ou ainda da conjugação de uns com os outros. Dos primeiros não vale a pena falar, tantos foram … Continue reading EXAMES COMPLICADOS
TRINITÁ
Camacupa, anos 70, era eu um adolescente imberbe e de guedelhas azeitadas pelos ombros. Nesse tempo, íamos com frequência ao clube principal da vila, pois o cinema era barato e constituía diversão quase sempre certa. A sala era minimalista, as cadeiras eram feitas de tábuas lisas, de madeira, tal como o chão cá mais para … Continue reading TRINITÁ
PREPARAÇÃO CLANDESTINA
Foquei o microscópio e a imagem apareceu nitidamente. Observei com um olho e controlei os movimentos da professora com o outro. Depois, chamei o H. que estava na mesa ao lado. ”Queres espreitar?” A cara de surpresa que ele fez foi impagável, e perguntou “São mesmo?” Eram mesmo. Para bom entendimento, será melhor contar a … Continue reading PREPARAÇÃO CLANDESTINA
CAMINHO DE SANTIAGO
No adro da igreja de São Pedro de Rubiães, a pequena cobra ondulou sobre as lajes ainda mornas do sol de verão. A pouca luz do início da noite tornou-nos meras sombras coladas ao arco românico da porta, e ela quase me veio ter à mão. Peguei nela com cuidado, e não fez qualquer esforço … Continue reading CAMINHO DE SANTIAGO