MORDAÇA

Esta memória podia ser sobre a de Camões, Pessoa, Aquilino ou Mia Couto, mas não, é mesmo acerca da minha: a língua. Durante a juventude, a minha língua permaneceu muito calada, algo introvertida. Mais tarde, começou a soltar-se em consequência de um crescendo de autoconfiança. Esta foi chegando pouco a pouco, sustentada nos resultados escolares. … Continue reading MORDAÇA

FECHA A PORTA

Abriu a porta e entrou como se fosse dona daquilo tudo, escancarando-a e deixando o vento frio irromper na nossa cozinha regional. “Fecha a portinha!” disse eu com voz de comando. E ela, virando-se lentamente, como que indicando obedecer contrariada, fechou mesmo a porta. A cena não teria lugar nestas memórias, não fosse ter-se repetido … Continue reading FECHA A PORTA

PREPARAÇÃO CLANDESTINA

Foquei o microscópio e a imagem apareceu nitidamente. Observei com um olho e controlei os movimentos da professora com o outro. Depois, chamei o H. que estava na mesa ao lado. ”Queres espreitar?” A cara de surpresa que ele fez foi impagável, e perguntou “São mesmo?” Eram mesmo. Para bom entendimento, será melhor contar a … Continue reading PREPARAÇÃO CLANDESTINA