O N. limpava os óculos repetidamente, mas continuava sem ver bem. A causa do embaciamento não estava nas lentes, mas sim na cerveja. Em dia de festa na vila, ainda havia luz quando o grupo de amigos se reuniu à conversa no bar mais moderno que havia, e a mesa encheu-se gradualmente de copos vazios, … Continue reading O ADORMECIDO E O COICE
Mês: Agosto 2021
O MEL DE ROMA
Quando ouvi os estilhaços de vidro no chão, senti-me dentro da metáfora do elefante. Não era uma loja de porcelanas, mas tinha algumas, e vendia artigos turísticos. A italiana que estava ao balcão tirou os olhos da revista de celebridades e acercou-se rapidamente, mostrando cara de enfado, e com razão. Ao analisar o sucedido, … Continue reading O MEL DE ROMA
SACO DE BARRIGA ABERTA
O raio de luz entrava pela porta e condensava os grãos de fina poeira num feixe oblíquo, quase sólido. A mãe, sentada na sombra com o grande saco de pano às riscas azuis no colo, repetia o gesto uma e outra vez. Mostrava o jeitinho de já ter feito muitas vezes a tarefa. Ao sol, … Continue reading SACO DE BARRIGA ABERTA
OS PÉS DESCALÇOS
Os pés de quem andou descalço toda a vida são diferentes. Vi deles um número suficientemente elevado para não mais me esquecer. Os dos jovens e das crianças ainda não calcorrearam suficientes caminhos para que se note, são mais ou menos perfeitos, como vieram ao mundo. Já os pés dos velhos contam outra história, e … Continue reading OS PÉS DESCALÇOS