DUNA 45

Silêncio. Sol. Sombras ramificadas projectadas no solo, ramos negros recortando o céu muito azul, quase cobalto, em contraste com a imensidão avermelhada que ocupa o horizonte em frente. Dunas. Uma delas, enorme, de curvas suaves, parece mover-se muito lentamente. Pura ilusão. Move-se, sim, mas tão devagar ao longo dos anos que o olhar não conseguiria … Continue reading DUNA 45

TROAR, RIBOMBAR, RETUMBAR?

Troar, ribombar, retumbar? Não sei que palavra usar para descrever o som poderoso que nos faz vibrar o peito, qual caixa de ressonância de um instrumento emudecido, sem palavras. Sem falar, pelas emoções no máximo. Perfeitamente compreensível, já que estava na beira de um fenómeno da natureza impressionante. Pelo som, sim, mas também pelas dimensões, … Continue reading TROAR, RIBOMBAR, RETUMBAR?

49 METROS ABAIXO DO NÍVEL DO MAR

Libertando-se repetidamente do solo, estalidos metálicos, suaves, quase imperceptíveis. O som vinha de todas as direcções e acentuava-se quando as nuvens se afastavam e deixavam o sol aquecer aquela extensa planície. O piso muito irregular impedia caminhar, era com altos e baixos de lama seca, endurecida por grande quantidade de brilhantes e minúsculos cristais de … Continue reading 49 METROS ABAIXO DO NÍVEL DO MAR

MUNIÇÕES FORA DO PRAZO

No lixo do quartel abandonado pelas tropas portuguesas havia muito material queimado, sem utilidade. O que nos atraiu a atenção foi um amontoado de balas de aspecto antigo, cápsulas oxidadas, muitas  já com verdete. Levámos uma mão cheia delas. Não imaginávamos o perigo que viria de tal infantilidade em período de escaramuças entre os guerrilheiros … Continue reading MUNIÇÕES FORA DO PRAZO