STÊNCIL QUEIMADO

As palavras estavam do avesso e como que arrepiadas. Decifrar o texto na superfície ondulada do novelo de cinzas foi um desafio. Feitos detectives, entusiasmados na ânsia da descoberta, a rapaziada dissecou lentamente o stêncil queimado que se desfazia a cada toque. As frases ainda legíveis foram verbalizadas lentamente, palavra a palavra, para que todos … Continue reading STÊNCIL QUEIMADO

HOTEL AEROPORTO

No primeiro dia não vi o sol. Nos seguintes mal apareceu, encoberto pelas nuvens escuras, carregadas, trazidas por um vento frio. Chovia. Daquela chuva miudinha, chata, persistente. As árvores já tinham perdido quase toda a folhagem. Os ramos nus, erguidos ao céu, pareciam mãos com dedos nodosos e alongados. Folhas mortas, castanhas, amarelas, amontoavam-se no … Continue reading HOTEL AEROPORTO

SUBITAMENTE FALTOU-NOS O CHÃO!

Vemos as copas das árvores passando rapidamente a poucos metros de nós. Ao longe, em frente, a neve cobre o topo dos montes. Subitamente, um som abafado de surpresa escapa-se das bocas, mãos agarram-se instintivamente. Falta-nos o solo! Estava ali mesmo e num segundo fugiu. Está agora mil metros lá para baixo. Estreita fita prateada, … Continue reading SUBITAMENTE FALTOU-NOS O CHÃO!

O LEITEIRO E A INÉRCIA TRAMARAM-ME

Não tinha ainda percorrido duzentos metros e já eu caía do carro. Pulso e joelhos esfolados, e também uma grande amassadela na autoestima. Era o preço de uma decisão menos ponderada, de uma má avaliação e, convenhamos, algum azar.  De visita a familiares, calhou passar o leiteiro no seu veículo adaptado com uma plataforma na … Continue reading O LEITEIRO E A INÉRCIA TRAMARAM-ME