AS ÁRVORES DA DISCÓRDIA

O sol ainda não tinha nascido já éramos muitos na serra, ao frio do inverno, e estava longe de imaginar todas as consequências do que estava para acontecer. Antes dos motoristas chegarem às máquinas de rasto, os activistas acorrentaram-se a elas de modo a impedir o seu funcionamento. A população da aldeia juntou-se em redor, … Continue reading AS ÁRVORES DA DISCÓRDIA

CORISTAS VELHAS E MONGES CALADOS

No palco, duas bailarinas sexagenárias balançam-se malandramente, tentando acompanhar a música de jazz que a orquestra de quatro séniores ainda mais serôdios tocam nos seus instrumentos, também estes já muito gastos. A sala envelhecida, com veludos vermelhos, colunas forradas a espelhos e painéis pintados a fingir de mármore, mantém-se inalterada desde a primeira metade do … Continue reading CORISTAS VELHAS E MONGES CALADOS

MÚSICA

O japonês, todo molhado, abriga-nos com o seu guarda-chuva enquanto os Anjos me empurram na cadeira de rodas, ziguezagueando por entre milhares de pessoas em direcção à rua. Ainda nos indicou o melhor sítio para apanhar um táxi, mandou parar um e ajudou a dobrar a cadeira e arrumá-la na viatura. À saída do  Budokan … Continue reading MÚSICA

CLIENTE ASSÍDUO

Um dia descobri a sua existência e não mais a larguei. Vinha ao bairro uma vez por semana, em dia certo, esperava os clientes assíduos, e apelava aos transeuntes tentando ampliar a clientela. Fazia-se transportar num enorme furgão branco de formato inconfundível e era conhecida por todos. Era a biblioteca Itinerante e fazia parte da … Continue reading CLIENTE ASSÍDUO

GOLFINHOS DE POTÊNCIA

O ambiente é abafado, muito barulhento e mal-cheiroso, quase insuportável. O espaço é apertado e tem entranhado o rasto de mil peúgas e dos respectivos donos, transpirados do trabalho duro. Difícil de imaginar como é possível descansar nestas condições, mas este é um pensamento de quem não está habituado a estas lides. Estou a ver-me … Continue reading GOLFINHOS DE POTÊNCIA