Esperar, avistar, apontar, enquadrar, focar, disparar e já está. Estes são os passos necessários para fazer uma fotografia de uma ave. E ficar calado! Mesmo assim, muitas vezes não resulta. Desde miúdo que gostava bastante de ver e ouvir estes animais alados, fofos e coloridos. Nos jardins, em passeio, a pé ou de bicicleta, nos … Continue reading AVES
Categoria: Memórias antigas de África
VER A ENCICLOPÉDIA
Passava horas a ler, e apreciava muito um ou outro dos volumes profusamente ilustrados que os meus pais tinham comprado para nós. Chamava-se ”A minha primeira Enciclopédia” e mostrou-me o mundo, a par de outra colecção chamada “Como funciona?”, e ainda outra, o “Atlas do universo”. Não me lembro bem mas terá sido por volta … Continue reading VER A ENCICLOPÉDIA
TORNOZELOS SOFRIDOS
O terno vai batendo nos tornozelos a cada passo, o sofrimento é maior à medida que a distância percorrida aumenta e as forças me vão faltando. O tal terno não era uma carta de jogar nem peça de dominó, não era um fato com 3 peças de vestuário, nem sequer um conjunto de sofás… Era … Continue reading TORNOZELOS SOFRIDOS
WILLYS
Aprendi a conduzir aos 13 anos num velho jipe da segunda guerra mundial. Dito desta forma pomposa parece importante, fora do comum, uma raridade mesmo. O facto é que não tenho a certeza se o pequeno Willys verde teria mesmo andando na guerra. Seria uma das muitas unidades usadas oferecidas pelo Canadá ou pelos Estados … Continue reading WILLYS
O ASSALTO
Gente aos gritos e muito fumo por todo lado. Há quem consiga deitar a mão a grandes caixotes a arder e os desfaça rapidamente, tentando salvar o conteúdo e atirando-o para fora. Caixas caem no chão, e também rolos de pano e outras coisas que não vi bem. As chamas crepitam cada vez mais, está … Continue reading O ASSALTO
O MATADOR
O corpo salta e corre desajeitadamente sem saber que já morreu. O sangue espalha-se pelo chão em pinturas esguichadas. O homem, machado avermelhado na mão, com todos a ver, calados mas desaprovadores, sente-se derrotado e desvia o olhar enjoado. A cabeça decepada, olhos fechados, ficou pousada na tábua de madeira. Depois de duas frenéticas voltas … Continue reading O MATADOR
BAFORADAS
O Né tinha oito anos e roubava charutos. Não sei bem quando começou, quantas vezes se repetiu, nem quando terminou, mas era mesmo assim. O miúdo, forte pronúncia do Porto, trazia-os de casa, ufano. Naquele tempo passávamos grande parte do dia fora de casa, que servia basicamente para dormir e comer. Não havia televisão, computador, … Continue reading BAFORADAS